O Ministério da Fazenda iniciou um mapeamento de bancos e fintechs que oferecem serviços a sites de apostas ilegais. A ação, conduzida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), visa interromper o fluxo financeiro dessas operações, conforme informou o secretário Regis Dudena em entrevista ao site Poder 360.
Além disso, a investigação aponta para um problema maior. De acordo com Dudena: “A gente começa a perceber que provavelmente esses prestadores de serviços, sejam as próprias instituições de pagamento, sejam pessoas intermediárias, também prestam serviço para outras atividades ilegais”.
Dessa forma, a SPA compartilha as informações coletadas com órgãos parceiros, como o Banco Central (BC), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal, para ampliar o combate.
O método de operação sobre apostas ilegais e as contas investigadas
Conforme secretário, o fluxo monetário das apostas ilegais ocorre principalmente por meio de contas de prestadores de serviço. Essas chamadas “contas-bolsão” são utilizadas tanto para fins lícitos quanto para atividades de pessoas com restrições.
Aliás, um método semelhante foi identificado em grandes operações no setor de combustíveis para legalizar verbas do crime organizado.
Como resultado de uma força-tarefa em 28 de agosto, 1.400 agentes realizaram buscas contra fraudes em importação e adulteração em bombas, incluindo transações via fintechs.
A operação desarticulou um grande esquema do PCC no setor e consequentemente, a secretaria identificou entre 300 e 400 contas desse tipo usadas por bets.
A maioria delas pertence a instituições de pagamento (fintechs) menores, que não exigem autorização do BC para funcionar.
Regis Dudena afirma: “Se conseguirmos que todas as instituições financeiras de pagamentos e instituidores de arranjo não prestem serviços para casa de apostas, eles não têm como ganhar dinheiro com isso. Então, a gente seca a parte financeira deles”.
Resultados obtidos com a fiscalização
De acordo com a SPA, os primeiros resultados já são visíveis. No primeiro semestre de 2025, por exemplo, 24 instituições financeiras e de pagamento realizaram 277 reportes à secretaria. Tais ações levaram ao encerramento de contas de 255 pessoas físicas e jurídicas.
Além disso, a secretaria comunicou formalmente 13 instituições de pagamento, solicitando informações e o fechamento de contas suspeitas. Assim, a medida garantiu o bloqueio de outras 45 contas, reforçando o cerco contra as operações ilegais.




