Rafael Caiaffa retoma poker presencial e online e pega pódio duas vezes
À direita, o BruxoR10 e seu troféu no BSOP, junto com Lúcio Antunes e Guilherme Decourt

Em menos de um mês, o mineiro Rafael Caiaffa voltou a arrebentar, dessa vez no poker online, afastado há anos. Na Super Millions Week ele colocou a bandeira do Brasil lá em cima do pódio, usando o nick “Bruxo R10”.

No mês passado, Caiaffa tinha participado e ficado também em primeiro lugar no torneio de Pot-Limit-Omaha, voltando em grande estilo ao poker presencial, seu preferido, na primeira edição do BSOP realizado em São Paulo.

E como se fosse pouco, no dia 19 agora, durante o High Rollers Main Event online, Caiaffa arrasou os 223 adversários e pegou o primeiro lugar.

A volta em grande estilo aos feltros do mineiro de 41 anos, natural de Belo Horizonte, comprova a sua habilidade com as cartas, sendo um dos grandes nomes do poker brasileiro, junto com João Simão, Rafael Moraes, Thiago Crema, Yuri The Nerdguy, entre outros.

Caiaffa começou sua carreira em 2006. Já em 2007 foi campeão de seu estado, Minas Gerais, ganhando como prêmio a possibilidade de ir jogar um Main Event em Las Vegas.  Agora volta com tudo para os torneios ao vivo, de olho já em Las Vegas ainda em 2022.

A iGaming Brazil conversou com este craque das cartas numa exclusiva, aproveitando o intervalo entre um torneio e outro.  

Confira a entrevista exclusiva:

iGaming Brazil – Como foi pra você voltar a jogar no poker presencial depois de 2 anos de pandemia?

Rafael Caiaffa – Foi uma sensação muito boa, depois de dois anos sem jogar, eu estava num bom ritmo de poker ao vivo, com bons resultados e a pandemia quebrou isso. Então foi aquela sensação maravilhosa de chegar no salão depois de tanto tempo, escutar o barulho das fichas, aquele barulhinho que só quem frequenta torneio de poker sabe.

Mas eu tive um imprevisto pessoal no BSOP e acabei jogando menos do que eu queria. Por isso optei por jogar os torneios de Omaha que são minha especialidade, inclusive um desses que você comenta que eu peguei primeiro e foi de Omaha Dealers Choice. E logo no primeiro torneio eu peguei segundo lugar. Foi bem divertido, além do retorno financeiro, a satisfação pessoal de ganhar mais um troféu de BSOP (tenho vários).

iGaming Brazil – Quais são seus planos daqui pra frente, ano 2022-25?

Rafael Caiaffa – Eu não levo mais o poker como profissão, mas é um hobby que acaba me dando um retorno financeiro ainda. Então eu jogo online quando me dá vontade, esporadicamente, online e cash games, mas o que eu gosto mesmo é do ao vivo. Meu objetivo é jogar o circuito brasileiro como tenho feito nos últimos anos, o BSOP e talvez algum outro torneio que tiver aqui no Brasil. E eventualmente o WSOP em Las Vegas, que dá um destaque maior.

Eu tenho dois anéis de World Series, que são como títulos mundiais, mas o sonho de todo jogador é ganhar o bracelete de ouro em Las Vegas e isso tem que ser presencial em Vegas. Os anéis são dos circuitos do World Series, que vai rodando o mundo, mas o evento principal é o de L.A.

iGaming Brazil – Você gosta mais do online ou do presencial?

Rafael Caiaffa – Eu prefiro o presencial. O online é muito estressante. O ao vivo você pode fazer breaks, dar uma respirada, tem uma interação social melhor. Nem tem comparação, o presencial é muito melhor, olho no olho. Muito mais gostoso e onde eu tenho meus melhores resultados.

iGaming Brazil – Como você começou a jogar poker? Quem você admira no esporte?

Rafael Caiaffa – Minha família é toda de jogadores de cartas. Cresci assistindo meus avós, pais e tios jogarem. Mas quem me apresentou e me lapidou no poker foi meu tio Max Dutra. Ele foi o primeiro profissional da família. Entre seus grandes títulos, está o Main Event do BSOP.

iGaming Brazil – Quais são as suas memórias do seu primeiro torneio como profissional e do primeiro título que você ganhou?

Rafael Caiaffa -Meu primeiro torneio veio junto com meu primeiro título. Foi na etapa do Campeonato Mineiro de Poker. Mesmo com pouca experiência eu me sentia a vontade. As pessoas não sabiam jogar bem. Era até fácil ser vencedor no poker no início dos anos 2000.

iGaming Brazil – O que te faz sentir tendo sido um dos melhores brasileiros da história do WSOP, ganhando dois anéis e terminando em 55º no Main Event em Las Vegas?

Rafael Caiaffa – Só pra deixar claro: eu não sou mais o recordista brasileiro 55º. O recorde já foi batido por um brasileiro que terminou em 9º. E também não sou mais recordista de anéis WSOP. Hoje tem jogador que ganhou três anéis. Mas eu me sinto uma pessoa estrelada. Eu cresço em grandes eventos.

iGaming Brazil – Como você continuou sua carreira a partir daí? Que fatos relevantes você poderia mencionar?

Rafael Caiaffa – Durante o torneio WSOP, eu fui contratado pelo site Best Poker, da rede Ongame, jogando torneios cada vez maiores. Em 2011, eu me desliguei do Best Poker e assinei com o Rox Poker. O objetivo era jogar todas as etapas do BSOP. Logo no primeiro ano, eu ganhei bracelete do Main Event do BSOP, com uma premiação superior a 100 mil reais. Em 2013, fui embaixador do Full Tilt Poker. Eu mudei para a rede pro do FTP e comecei a jogar grandes torneios mundiais. Nesse período, ganhei mais uma vez o High Roller do BSOP e peguei alguns bons resultados em BSOP e WSOP. Em 2015, Full Tilt encerrou suas operações e joguei sem nenhum patrocinador.

Ainda esse ano, na etapa do BSOP de Brasília, eu fui campeão do torneio principal de Omaha. Na mesma etapa, cheguei a mais um Heads Up do Main Event do BSOP, sendo o primeiro a fazer três Heads Up e o novo recordista de mesas finais em ME do BSOP, com sete. Peguei 2º no Main Event, mas foram mais duas grandes premiações nesse evento.

Entre 2017 e 2018, eu joguei poucos torneios, ganhando alguns eventos do BSOP. Fui o primeiro campeão brasileiro de Courchevel, entre outros títulos de menor expressão. Em fevereiro de 2019, pouco antes de começar a pandemia, cheguei à FT de um torneio em Punta del Este, o Millions do Party Poker. Fui eliminado em 9º, mas consegui quase 100 mil dólares.

Rafael mostra com orgulho seus vários troféus.

iGaming Brazil – O que o levou a anunciar sua aposentadoria na época? Como você superou esse período sem jogar profissionalmente?

Rafael Caiaffa – O poker profissional consumia todo meu tempo. Minhas noites, meus feriados, meus finais de semana. Abri mão de muita coisa pra jogar poker. Perdi algumas coisas da vida das minhas filhas por causa disso. Ainda assim foram anos maravilhosos, com ótimas viagens e muito aprendizado. Resolvi que jogaria poker somente por hobby. Assim poderia me dedicar a outras coisas. Sou jovem, tenho energia.

iGaming Brazil – A que você atribui o crescimento do poker online? Como você explica esta explosão?

Rafael Caiaffa – O poker online acompanhou a tendência mundial. A Internet domina o mundo, no poker não seria diferente. A facilidade de jogar do sofá de casa não tem preço. Mas eu sou adepto do ao vivo, do cara a cara. Eu prefiro essa modalidade mil vezes porque a adrenalina é distinta.

iGaming Brazil – Que coisas você mudou como jogador depois que terminou a pandemia?

Rafael Caiaffa – Nada, eu já jogava online e já era acostumado a ficar em casa jogando. Única coisa que piorou foi o fim dos torneios ao vivo. Mas, graças a Deus isso acabou e agora voltamos com tudo aos torneios no Brasil e no mundo.

iGaming Brazil – Qual a sua opinião e visão sobre o poker brasileiro? Que lugar ocupa na América Latina?

Rafael Caiaffa – A evolução do poker latino-americano é digna de aplausos. Quando comecei, era raro ver latinos competindo de igual pra igual com americanos e europeus. Hoje, ouso dizer que estamos no mesmo patamar. O brasileiro em si é criativo, tem essa qualidade cultural, e muitos tem levado a criatividade pra mesa de poker.