Celular se torna item inseparável para brasileiros que fazem apostas
Foto: Administradores

Dia de jogo de futebol é imperdível para boa parte dos brasileiros. TV ligada, cervejinha, camisa do time do coração e o celular por perto. Isso porque um em cada quatro fãs de futebol integram o grupo daqueles que fazem apostas no país, de acordo com o Portal Uol.

No início, muitos apostadores davam seus palpites pelos computadores. Com o avanço da internet e dos celulares, esse hábito se transformou. Segundo estudo da Casa de Apostas, patrocinadora de Bahia, Botafogo, Santos e Vitória, 95% dos apostadores brasileiros já preferem fazer tudo pelos smartphones.

De acordo com avaliação da empresa SEMrush, o mercado da América Latina foi inserido em uma análise em agosto do ano passado, apontando uma estimativa que, pelo tráfego do mês avaliado, a quantidade de apostadores na internet ultrapassa a marca de 30 milhões apenas no Brasil.

O mercado latino-americano foi englobado na avaliação da SEMrush. No cenário nacional, a Bet365 está na liderança com 94.845.151 usuários, uma alta de 12% desde julho. O site Jogodobicho está com 45.769.926, uma redução considerável de 43% em comparação ao marco de 81,2 milhões em julho.

Já a sportingbet.com ficou com a terceira posição com 11,71, superando o freebitco.in, que registrou uma diminuição de 45% para 6,4 milhões de usuários. A plataforma deunopostehoje.com pegou a sexta posição com 2.817.553 visitas.

Brasileiros preferem apostar pelo celular

“Virou quase uma prática mundial, as pessoas mexerem no aparelho celular enquanto assistem televisão. As redes sociais, obviamente, tomam a maior parte deste tempo, mas o consumo de apostas esportivas aumentou também em razão disso”, frisou Hans Schleier, diretor de marketing da Casa de Apostas, em entrevista ao Portal Uol.  

Schleier continuou: “Ao assistirem partidas de futebol ou qualquer outro esporte, reunimos os principais hábitos do brasileiro: entretenimento, a segunda tela, que é o aparelho mível, interatividade e emoção. Uma coisa está ligada a outra”.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), o Brasil conta com dois dispositivos móveis por pessoa. Entre os aparelhos, a utilização de celular está na liderança, conforme o levantamento, há 230 milhões de celulares ativos no país. Um crescimento de 10 milhões na quantidade de aparelhos funcionando em comparação com 2018.

“A prática das apostas se tornou fácil e viável, basta apenas um clique. Antigamente as pessoas tinham um preconceito maior e achavam difícil navegar por esses portais. Hoje, bastam dois toques para você ter a experiência de ver um jogo e apostar simultâneamente”, completou Hans.

Regulamentação das apostas esportivas no Brasil

No país, aproximadamente 450 casas de apostas do exterior operam sem pagar nenhuma taxa. Para tentar reverter essa situação, em dezembro de 2018, o então presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.756/2018, dando autorização para o Ministério da Fazenda estabelecer normas para licenciar a prática de apostas esportivas de quota fixa no território nacional.

Segundo o portal do Governo Federal, a atividade se configura como um serviço público exclusivo da União, com exploração comercial acontecendo em todo o país, em qualquer canal de distribuição comercial, físico ou virtual. A previsão era que a regulamentação saísse até 2019, mas foi adiada para 2020. Agora, a perspectiva até julho.

Um dos pontos que os players do mercado de apostas argumentam é que, quando ocorrer a regulamentação, ela necessita ser semelhante a de mercados consolidados como Reino Unido e Dinamarca, que são exemplos na base de cálculo para cobrança de impostos e combate aos negócios que não conseguiram a autorização para operar no país.

Na visão do advogado de direito desportivo Eduardo Carlezzo, especialista neste nicho, a regulamentação necessita ser agilizada. “Em algum momento é muito provável que tenhamos todos os 20 clubes da série A com algum tipo de acordo comercial com empresas de apostas esportivas”.

Carlezzo concluiu: “Contudo, este mercado vai realmente deslanchar quando as empresas estiverem operando legalmente no país, e para isso o governo federal tem ainda que abrir um processo de concessão de licenças, coisa que está extremamente atrasada”.