Indústria dos jogos de azar aguarda posição de Jair Bolsonaro

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 Atualizado em 06/03/2019 às 14h33.
 
Indústrias dos jogos de azar aguardam posição de Jair Bolsonaro
Correio do Estado

Segundo apurou a Folha de S. Paulo, grandes representantes do setor seguem divididos, com mensagens contraditórias sobre a liberação dos jogos de azar no país.

Na semana passada, em entrevista concedida para o Valor Econômico, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a citar a aprovação dos jogos como um dos temas a ser debatido em breve.

Para o presidente Jair Bolsonaro, em entrevista em maio do ano passado (quando era ainda candidato à presidência da República), Bolsonaro se mostrou contra a legalização.

“O que nós temos estudado aí? A possibilidade, olha, possibilidade, de jogar para os estados decidir isso daí. Está muito incipiente em discutir. Eu particularmente, no primeiro momento, sou contra. Mas pode ser conversado”, deixou em aberto, na ocasião.

“Tem de ter regra, algum balizamento no tocante a isso. Não podemos deixar abrir caça-níquel. Por exemplo: o elemento vai à padaria e, em vez de levar o pão para casa, joga o dinheiro no caça-níquel. No primeiro momento eu sou contra, e pessoas têm chegado a mim falando que deveria jogar para cada estado decidir a questão de cassinos”, disse Bolsonaro.

Já antes do segundo turno, o então candidato respondeu algumas questões que estavam em pauta no momento. E uma delas foi negando a possibilidade de reabrir os cassinos no Brasil.

O padrão conservador de Bolsonaro em relação ao jogo pode ter fortes interferências da Economia e o Ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ter influência em suas futuras decisões.

Com geração de empregos e arrecadação de tributos com uma fiscalização rígida, pode ser mais uma alternativa para “girar” a economia no país.

Se cassino é um assunto controverso no Congresso, outras modalidades como bingo e jogo do bicho, sofrerão uma resistência maior, segundo Luiz Felipe Maia, advogado especialista no setor.

“Na sociedade e no Legislativo, há mais preconceito em relação a essas operações, que são vistas como de mais difícil controle e fiscalização”, diz o advogado.

Já os grandes resorts pressionam por uma legislação que não libere o jogo do bicho e caça-níqueis.

A ideia principal é ter cassinos integrados a resorts (com no máximo 10% de sua área de jogo) e receita arrecadada em venda de diárias, shows, feiras e eventos de negócios.

Estima-se que, a regularização dos jogos no Brasil, traria uma arrecadação da ordem de 20 bilhões anuais ao país.