O ex-ministro do Turismo Vinicius Lummertz defendeu a criação de uma “União Nacional do Turismo” durante a abertura do Seminário LIDE Turismo, realizada nesta quarta-feira (10), em São Paulo. O encontro reuniu empresários, executivos do setor e representantes da aviação comercial para discutir desafios e oportunidades do turismo no Brasil.
Durante sua apresentação, Lummertz afirmou que o país ainda aproveita pouco o potencial econômico do segmento, apesar das vantagens competitivas naturais.
Segundo ele, o turismo mundial deverá movimentar cerca de US$ 16 trilhões nos próximos anos, representando mais de 11% da economia global e quase 500 milhões de empregos.
“O turismo vai crescer justamente nos segmentos em que o Brasil é líder mundial em potencial: natureza, aventura, experiências e cruzeiros. Não existe razão lógica para que o país não cresça em todos esses mercados”, afirmou.
Por que o turismo brasileiro cresce abaixo do potencial
Durante sua exposição, Lummertz argumentou que as projeções para o turismo brasileiro seguem abaixo da média global. De acordo com ele, enquanto o setor avança em diversos mercados internacionais, o Brasil não acompanha o mesmo ritmo de crescimento, inclusive no turismo de negócios.
“Por que vamos crescer menos do que o mundo se temos ativos únicos? A forma como enxergamos o turismo precisa evoluir”, declarou.
O ex-ministro também avaliou que o turismo ainda não recebe tratamento estratégico dentro das políticas de competitividade nacional. Para ele, o setor costuma ser associado apenas ao lazer, embora tenha potencial para gerar empregos, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento regional.
Qual o papel da conectividade para o setor
Outro ponto destacado por Lummertz foi a importância da conectividade aérea para ampliar o acesso a destinos turísticos e fortalecer economias locais.
De acordo com ele, a expansão das ligações aéreas reduz distâncias e contribui para o desenvolvimento de diferentes regiões do país.
“A cidade que hoje está a 12 horas de carro pode estar a uma hora de distância quando existe conectividade aérea. Isso é competitividade nacional”, afirmou.
Além disso, o ex-ministro citou obstáculos que, segundo ele, dificultam a expansão do turismo brasileiro. Entre eles estão a burocracia para licenciamento de empreendimentos, a falta de integração entre modais de transporte e a ausência de planejamento conjunto entre setor público e iniciativa privada.
Ao mencionar experiências internacionais, especialmente da China, Lummertz destacou a importância de desenvolver infraestrutura, acessibilidade e produtos turísticos de forma coordenada.
“Lá tudo é planejado em conjunto. Estrada, parque natural, atrativo turístico e conectividade. No Brasil, ainda trabalhamos de forma fragmentada”, observou.
Proposta prevê articulação entre diferentes setores
Em um dos principais momentos da apresentação, o ex-ministro defendeu uma atuação mais integrada entre os diversos segmentos que compõem a cadeia turística.
Conforme ele, setores como hotelaria, aviação e cruzeiros frequentemente atuam de forma isolada, o que reduz a capacidade de articulação em torno de pautas comuns.
“Hotelaria defende hotelaria. Aviação defende aviação. Cruzeiros defendem cruzeiros. Quando cada um fala apenas pelo seu setor, perdemos força. O desafio não é defender um segmento. O desafio é construir uma proposta para o Brasil”, afirmou.
União Nacional do Turismo reúne principal proposta
A principal proposta apresentada por Lummertz foi a criação da chamada União Nacional do Turismo.
A iniciativa funcionaria como um fórum permanente de articulação entre companhias aéreas, aeroportos, operadoras de cruzeiros, hotéis, parques temáticos, operadores turísticos, entidades representativas e integrantes do poder público.
Por fim, o ex-ministro, declarou que o objetivo seria construir propostas estruturantes para o setor e ampliar o diálogo com o governo federal antes que problemas se transformem em crises.
“Precisamos portanto de um grupo guardião dessa mensagem, que represente toda a cadeia e apresente ao país um projeto de longo prazo. O turismo tem muito a entregar ao Brasil”, finalizou.

