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Fundadora da Kalshi diz que bloqueio no Brasil ocorreu por falta de entendimento sobre mercado preditivo

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Cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara - Foto: Shauna Clinton/Web Summit

A cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, afirmou que a empresa pretende dialogar com as autoridades brasileiras para reverter a decisão que restringiu a atuação dos chamados mercados preditivos no país.

Em entrevista durante o Web Summit Rio, a empresária brasileira declarou que a medida foi motivada por uma falta de compreensão sobre o funcionamento desse modelo de negócio.

“Vamos trabalhar com o governo para tentar explicar o que a gente faz, porque eu acho que é mais um gap educacional do que qualquer outra coisa. Nos Estados Unidos, a gente começou a trabalhar com governo em 2019. Passamos muitos anos explicando o que a gente faz.”

No fim de abril, o Ministério da Fazenda determinou o bloqueio de plataformas como a Kalshi. O entendimento foi de que essas empresas oferecem prognósticos esportivos sem seguir as exigências impostas ao mercado regulado de apostas, incluindo licença operacional e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

De acordo com a excecutiva, a companhia mantém interesse em operar oficialmente no Brasil.

“Os planos continuam. É uma questão de cronograma, priorização e conformidade regulatória. Sendo brasileira, considero primordial trazer a operação para o país.”

A executiva acrescentou que acredita em uma evolução regulatória mais rápida no Brasil do que ocorreu nos Estados Unidos, onde a empresa enfrentou anos de debates com autoridades reguladoras.

Kalshi afirma que modelo difere das casas de apostas

Durante a entrevista, Lara reforçou que a Kalshi não opera como uma casa de apostas tradicional.

Segundo ela, a empresa gera receita por meio da cobrança de taxas sobre transações realizadas entre usuários, modelo semelhante ao utilizado por bolsas de valores e mercados futuros.

“A Kalshi não ganha dinheiro quando as pessoas perdem. Essa é uma diferença muito grande.”

A empresária explicou que a plataforma recebe uma taxa de corretagem quando um usuário compra um contrato e outro realiza a operação oposta. O valor cobrado gira em torno de 1% da transação.

“Não somos uma casa de apostas. Os usuários não jogam contra a Kalshi. A empresa não lucra quando o cliente perde.”

Empresa destaca monitoramento e combate à manipulação

Questionada sobre casos de suposto uso de informação privilegiada em plataformas de previsão, Luana afirmou que a Kalshi possui mecanismos para identificar e impedir práticas consideradas irregulares.

Conforme a cofundadora da Kalshi, a empresa comunica casos suspeitos às autoridades norte-americanas e impede a participação de usuários com potenciais conflitos de interesse.

“Por sermos regulados, a prática de manipulação ou insider trading constitui crime federal. Casos suspeitos são reportados ao Departamento de Justiça dos EUA.”

A executiva afirmou ainda que atletas profissionais não podem negociar contratos ligados a competições das quais participam. Além disso, integrantes de partidos políticos possuem restrições em determinados mercados eleitorais.

Como a plataforma mantém restrições para determinados temas

De acordo com Lara, a Kalshi adota limites para os contratos oferecidos aos usuários.

A empresa não permite mercados relacionados a guerras, assassinatos, terrorismo ou eventos considerados antiéticos.

“Embora eventos violentos gerem impactos econômicos, estabelecemos uma linha ética intransigível. A plataforma não deve gerar incentivos financeiros diretos para a ocorrência de tragédias.”

Por que perdas de usuários geram debate sobre proteção financeira

Dados de mercado apontam que cerca de 70% dos usuários de plataformas preditivas registram perdas financeiras. Para Lara, esse percentual precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo.

Na visão dela, operações de curto prazo em mercados financeiros tradicionais costumam apresentar índices de perda ainda maiores. A executiva destacou que a Kalshi opera sob um sistema que limita as perdas ao valor previamente depositado pelos usuários.

Além disso, a plataforma adota mecanismos de proteção, como limites de depósito e monitoramento de comportamento financeiro.

“Se detectamos perdas recorrentes, exigimos comprovação de capacidade financeira.”

Decisão judicial impulsionou crescimento da empresa

A fundadora da Kalshi também comentou os efeitos da decisão judicial obtida pela companhia nos Estados Unidos em 2024. A vitória permitiu que a empresa passasse a oferecer contratos ligados às eleições presidenciais norte-americanas, ampliando sua visibilidade e acelerando seu crescimento.

De acordo com ela, a decisão marcou uma transformação na trajetória da empresa. “Há uma Kalshi antes e outra depois dessa decisão.”

Ela afirmou que os mercados eleitorais se tornaram uma das áreas mais relevantes dentro do segmento de previsão e contribuíram para ampliar o interesse de investidores, veículos de comunicação e participantes do mercado financeiro.

Atualmente, a Kalshi está avaliada em aproximadamente US$ 22 bilhões, enquanto Luana Lopes Lara se tornou a mulher mais jovem a alcançar um patrimônio superior a US$ 1 bilhão.

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