Desde o início das operações legais no Brasil, o faturamento das bets cresce de forma acelerada.
Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação de impostos das empresas de apostas licenciadas dobrou nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao anterior, pulando de 2,2 bilhões para 4,5 bilhões de reais.
Esse volume financeiro já coloca a indústria de jogos online no mesmo patamar de contribuição de gigantes da economia, como o setor agrícola e o de tabaco.
Hoje, o país conta com centenas de sites autorizados e o número de jogadores continua crescendo.
O que acelera o faturamento das bets e a expansão do setor no Brasil
A proximidade da Copa do Mundo surge como um grande motor para aumentar a receita dessas plataformas.
Especialistas projetam ganhos expressivos em depósitos durante o evento esportivo.
Avaliando esse momento, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, garantiu que “é um setor que está se consolidando”.
Apesar do otimismo, alguns executivos projetam um ritmo de expansão um pouco mais moderado daqui para frente.
O CEO da Ana Gaming, Marco Túlio Oliveira, explicou que “era um mercado que não existia e agora as empresas já se instalaram”.
Ele projetou que “depois, o mercado legal vai crescer como cresce a economia“.
Com a estabilização do cenário, a tendência é que empresas menores sejam compradas ou encerrem as atividades.
Ed Birkin, presidente da H2, resumiu a situação: “Não é algo popular de se dizer, mas o fato é que existem operadores legalizados que simplesmente têm desempenho abaixo do esperado e não possuem uma estrutura boa o suficiente”, afirmou.
Preocupações com o endividamento familiar e o combate ao jogo clandestino
O crescimento veloz também gera debates sobre o endividamento da população.
Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que o país sofre com altos índices de jogo problemático, e as entidades do varejo associam as dívidas das famílias às apostas.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) declarou que “a atividade causa prejuízos a empresas e consumidores, especialmente os mais vulneráveis”.
O presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, André Guelfi, rebateu as críticas classificando a reação do varejo como “inveja”.
Ele argumentou que “o varejo está com dificuldades porque o cobertor está curto para a família brasileira“.
“Eles veem as bets fazendo publicidade e acham que estamos ganhando dinheiro, o dinheiro que eles perderam”, disse.
Por fim, as operadoras oficiais ainda encaram forte concorrência desleal.
Plataformas clandestinas movimentam bilhões de reais sem pagar as licenças governamentais, o que faz as empresas regulares cobrarem ações firmes contra o mercado ilegal e as plataformas de previsão não autorizadas.

