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Fonte: AFP

Em 2016, eleitores britânicos escolheram, em plebiscito, que o Reino Unido deveria sair da União Europeia (UE) e isso está mexendo com as apostas, nesse momento.

Entenda o Brexit

O Brexit (abreviação para “British exit”) foi notificado ao bloco em março de 2017.

Segundo o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, uma vez comunicado, o desmembramento se efetivaria dois anos depois. Março de 2019 chegou, mas a separação não aconteceu.

A então primeira-ministra britânica, Theresa May, deixou o cargo em junho devido aos sucessivos fracassos na condução do Brexit.

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Boris Johnson assumiu e garantiu em sua campanha que o Reino Unido sairá da UE dentro do prazo, com ou sem acordo. Nesse período, 27 líderes europeus já concordaram duas vezes em adiar o prazo para a saída.

Agora, o próximo prazo para que o Reino Unido decida sobre seu vínculo com o bloco é 31 de outubro.

E é aí que entram as apostas! Confira a matéria de Vivian Oswald, intitulada “Nas casas de apostas do Reino Unido, maioria acha que Brexit não sai” publicada no site O GLOBO neste domingo sobre o tema, no mínimo, curioso sobre esse complexo assunto.

Num país em que tudo é desculpa para uma fezinha, a maior crise política desde o pós-guerra reforça a tradição. Enquanto os políticos travam um embate para decidir como e se o Reino Unido sai da União Europeia no dia 31 de outubro, as casas de apostas não param de receber palpites sobre o processo, que começou com o referendo em que os britânicos optaram pelo Brexit , em junho de 2016.

Desde então, só a William Hill, uma das maiores casas de apostas do país, recebeu mais de 1 milhão de libras dos jogadores, pouco mais de R$ 5 milhões. A pergunta do momento é aquela que os especialistas não conseguem responder: “O Reino Unido deixa a UE até 31 de outubro?” O “não” está pagando 13 libras por cada 10 apostadas, e o sim, 34 por cada 10 apostadas. Ou seja, os britânicos acham que o país fica no bloco.

“Tivemos assim, tantas opções sobre o Brexit e recebemos tantas apostas que é quase impossível dizer qual foi a mais alta. Sabemos de algumas com cinco dígitos nestes últimos três anos” disse um porta-voz da William Hill ao GLOBO.

O que os Britânicos Pensam sobre o Brexit

Em meio à incerteza, as casas de apostas não deixam de ser um bom termômetro do humor da população. A expectativa, segundo as estatísticas da Ladbrokes, outra grande neste mercado, é a de que haverá um novo referendo sobre o Brexit. Já se especula quem será o partido vencedor nas próximas eleições antecipadas (os conservadores), o nome do primeiro-ministro que sucederá Boris Johnson e se haverá ou não Brexit sem acordo de transição com a UE.

Há também um lado triste. Segundo o especialista Phillip Newall, da Universidade de Warwick, as casas de apostas se concentram assim, nas cidades com indicadores socioeconômicos abaixo da média nacional. Só em apostas on-line as pessoas perderam 4,5 bilhões de libras no último ano (R$ 23 bilhões). Há 450 mil jogadores viciados no país. Newall defende assim, mais regulação e afirma que o aumento dos jogadores compulsivos veio depois da desregulamentação do setor em 2005:

“O jogo, de certa forma, vende esperança. Só que as chances estão contra você”.

Sobre a fezinha do Brexit, ele acredita que uma explicação razoável para tantas apostas seja uma “proteção”. As pessoas acham que podem perder com o futuro do Reino Unido e resolvem ganhar um pouco em cima disso.