Artigo do Estadão aponta que jogo deve ser visto como virtude e não um vicio

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A polêmica da aprovação ou não do jogo no Brasil foi abordada em um texto assinado por José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, no Blog de Fausto Macedo, no site do Estadão.

No artigo, Nalini conta que o filósofo Johan Huizinga (1872-1945) é autor da obra “Homo Ludens – O jogo como elemento da cultura”. Para Huizinga, o jogo é uma característica essencial ao ser humano. “É no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve”, defende.

O filósofo aponta que o jogo é um elemento cultural, uma vez que o conceito de jogo é relevante como fator lúdico para a humanidade. Afinal, o jogo é algo mais antigo do que a própria cultura, sempre tendo um objetivo em mente.

Sendo assim, o debate sobre a legalização dos jogos no Brasil tem a ver com questões mais diversas do que somente resgatar a economia, bastante abalada devido a pandemia do novo coronavírus. Isso porque o jogo também demanda liberdade, mas não quer dizer desrespeitar as normas vigentes. Já que todo mundo conhece o termo: regras do jogo.

O filósofo resume as propriedades do jogo, como “atividade livre, conscientemente tomada como “não-séria” e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total”. Afinal, todo mundo joga, inclusive os brasileiros.

Jogo no Brasil

Nesse caso, a proibição em função da possibilidade de vicio não se sustenta. Porque qualquer um que tem propensão a se viciar em algo, pode muito bem se viciar em bebida, cigarro, drogas ou qualquer outra atividade que gere essa dependência.

Além disso, os brasileiros viajam para poder jogar em cassinos. Las Vegas é uma cidade que recebe turistas do mundo inteiro e mostra que o jogo faz parte da essência humana. Ignorar isso pode ser muito prejudicial ao Brasil.

Para Platão, a maneira mais correta de viver lembrar um jogo: “…todos devem esforçar-se ao máximo por viver em paz. Qual é, então, a maneira mais certa de viver? A vida deve ser vivida como jogo, jogando certos jogos, fazendo sacrifícios, cantando e dançando, e assim o homem poderá conquistar o favor dos deuses e defender-se de seus inimigos, triunfando no combate”.

Brasileiro já joga muito!

Joga-se no território nacional de muitas maneiras. O poker conta com muitos adeptos nos clubes físicos ou nas plataformas online. As loterias registram milhares de jogos, principalmente, quando há prêmios acumulados.

O filósofo Huizinga ainda dizia que “a civilização será sempre um jogo governado por certas regras, e a verdadeira civilização sempre exigirá o espírito esportivo, a capacidade de fair play. O fair play é simplesmente a boa fé expressa em termos lúdicos”.

Países mais desenvolvidos descobriram como fazer isso e faturam fortunas com apostadores de todas as partes do mundo. Sendo assim, a aprovação de projetos de liberação dos jogos online ou presenciais que estão no Congresso Nacional poderiam reter os milhões de jogadores brasileiros que vão para outros países onde o setor já é regulamentado.

Além disso, a volta dos cassinos geraria milhares de postos de trabalhos para os mais variados setores, inclusive do entretenimento bruscamente afetado pelo coronavírus.

Por fim, Nalini questiona se haverá entendimento para concluir que a prática, apontada como essencial do ser humano, não precisa ser vista como um vício, mas como virtude cívica, no momento em que a país enfrenta insuperáveis dificuldades?

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