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Vice-presidente da CBF defende o mercado regulamentado de apostas: “as bets são tão vítimas quanto as federações”

Vice-presidente da CBF defende o mercado regulamentado de apostas: "as bets são tão vítimas quanto as federações"

Foto: Reprodução/Instagram @michelleramalhoc

Durante o segunda dia do 14° Fórum de Lisboa, realizado nesta terça-feira (2), a relação entre o esporte e o mercado regulamentado de apostas foi tema nos painéis de discussões. A vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Michelle Ramalho, saiu em defesa das operadoras que atuam dentro da lei no país, rebatendo as críticas sobre o setor.

De acordo com a dirigente, “muitos ignorantes falam que as bets [regulamentadas] têm que acabar, mas as bets são tão vítimas quanto as federações”.

O encontro também reuniu nomes de peso da indústria, como Alexandre Fonseca (Superbet) e Guilherme Figueiredo (Betano).

Por que o mercado regulamentado de apostas sofre como vítima de fraudes

Na visão da executiva, associar as operadoras legais aos escândalos esportivos é um equívoco grave.

“Não se pode mais falar hoje em futebol sem bets. Temos que desmistificar esse rótulo que muitos falam como se as bets fossem o autor das manipulações de resultados.

Qual é a bet que vai querer que aquele jogo seja manipulado?”, declarou Ramalho.

A dirigente reforçou que as empresas licenciadas, que “estão fazendo um trabalho muito sério”, acabam sendo “vítimas desses rótulos errados“.

O grande problema, apontou a vice-presidente, recai sobre a falta de rigor contra as plataformas clandestinas.

“É muito importante tipificar as casas de apostas que não estão legalizadas.

Não temos uma lei severa para isso. E não é justo com quem está legalizado, fazendo tudo certinho, concorrer com as casas ilegais. O Congresso precisa abrir os olhos para isso”, disse a executiva, cobrando maior atenção dos parlamentares.

Ações contra o endividamento e a força do jogo responsável

No mesmo painel, representantes das plataformas contestaram a narrativa estrutural de que as empresas seriam as grandes culpadas pela crise de crédito no país.

Alexandre Fonseca rejeitou essa hipótese utilizando o perfil do próprio consumidor.

“O público feminino e de baixa renda está entre os mais endividados. Já o nosso cliente é majoritariamente masculino e de renda maior.

O principal núcleo de endividamento está no cartão de crédito e nós não aceitamos. O mercado ilegal aceita, mas o regulamentado só aceita Pix”, afirmou.

Ele lamentou as generalizações, completando que “todo problema na sociedade brasileira atribui-se a bets. Mas as bets não são um fenômeno novo, foi apenas regulamentado. E a regulamentação no Brasil funciona“.

Guilherme Figueiredo acrescentou que as políticas governamentais de bloqueio de beneficiários de programas sociais, através de biometria e reconhecimento facial, são muito válidas.

O diretor ressaltou que “a portaria de Jogo Responsável é um exemplo para a América Latina” e cobrou um posicionamento de figuras públicas na defesa do ambiente formal.

“Nós estamos sofrendo um ataque de vários setores por estarmos tudo no mesmo balaio. Mas ou você defende o jogo legalizado ou você estará defendendo o jogo ilegal”, declarou.

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