O influenciador especialista em bets e jogo responsável, Daniel Fortune, revelou números do projeto mantido nas redes sociais. A iniciativa conscientiza e ajuda centenas de pessoas na luta contra o jogo problemático.
Além dos apostadores que procuram ajuda pelas redes sociais, o criador possui uma equipe especializada. O grupo mapeia comportamentos compulsivos e acompanha os casos identificados. Atualmente, o projeto atende diretamente cerca de 120 pessoas por mês.
O contato com os jogadores ocorre na comunidade virtual criada por Daniel Fortune. O influenciador soma mais de 390 mil seguidores nas redes sociais. Nesse espaço, ele publica conteúdos educativos e realiza lives sobre jogo responsável. Ao mesmo tempo, leva informações claras e acessíveis ao público.
As interações acontecem pelos comentários das transmissões no Instagram e também por mensagens via direct. Dessa maneira, a equipe consegue identificar possíveis sinais de comportamento compulsivo.
Entre os principais pilares do projeto está a criação de conteúdo para YouTube e Instagram. O material busca desmistificar promessas de ganho fácil. Do mesmo modo, alerta sobre golpes e bets clandestinas. Outro pilar importante envolve as lives diárias promovidas pelo influenciador.
Daniel Fortune, influenciador especialista em bets e jogo responsável, explica: “Fazemos uma mistura de diversão – em que a pessoa assiste uma live, pode se divertir e rir das minhas reações – mas, ao mesmo tempo que ela está rindo, eu estou explicando como é que o jogo funciona, como jogar de maneira responsável e como definir os limites.
Por exemplo: se eu ganhar uma quantia X eu vou parar e vou sacar. Mas além disso é necessário estabelecer os limites principalmente de perda, porque se a pessoa está perdendo dinheiro, o melhor a se fazer é parar de jogar.
Essa é uma forma de prevenir o desenvolvimento do quadro de Jogo Problemático, ao mesmo tempo em que a pessoa é educada para entender como o jogo funciona e que, de fato, é só um modelo de entretenimento e não de fonte de renda”.
Posteriormente, Fortune complementa: “Em nossa operação, atendemos mensalmente de forma voluntária ou ativa, seja com a pessoa nos contactando ou com a gente oferecendo essa ajuda a ela. Temos em torno de 120 casos gerais por mês.
Desses, eu diria que de 10 a 15 são casos mais extremos, onde uma pessoa já está no nível de prejuízo financeiro que afetou a vida dela. Nesses casos, já encaminhamos para um acompanhamento. É óbvio que ela tem que aceitar, mas nós fazemos essa indicação”.
Como o projeto identifica sinais de jogo problemático
Daniel Fortune também relatou como a equipe identifica comportamentos considerados preocupantes durante as transmissões ao vivo.
Fortune destaca: “Às vezes eu estou falando, em uma live, sobre a importância de definir limites e alguém comenta: ‘Daniel, eu depositei R$ 50 para jogar. Eu tive muita sorte. Esses 50 viraram, por exemplo, 600.
E aí eu fui tomado por uma euforia, não consegui me controlar, joguei na tentativa de fazer mais dinheiro e acabei perdendo tudo. E agora estou me sentindo muito mal’.
Quando a gente nota esse tipo de padrão de comentário, entramos em contato através da minha equipe de suporte, que faz uma abordagem proativa e pergunta o que aconteceu, se a pessoa está bem e se ela sente que está num patamar de jogo problemático, que é um passo anterior à ludopatia”.
O trabalho do influenciador atua de forma preventiva contra a progressão da ludopatia. Além disso, busca proteger a saúde mental dos apostadores.
As ações acontecem graças às parcerias com o Instituto de Apoio ao Apostador e com a Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC). As organizações oferecem treinamento para a equipe do projeto. Paralelamente, realizam acompanhamento psicológico gratuito para os jogadores atendidos.
Jogando com responsabilidade
O projeto está em vigor desde 2023. Desde então, Daniel Fortune também ensina práticas relacionadas ao jogo responsável.
Fortune pontua: “Um dos critérios, como a gente gosta de dizer, é que você só pode jogar um dinheiro que pode perder. Então quando alguém me pergunta quanto deve apostar na plataforma, eu devolvo questionando quanto a pessoa está disposta a perder e se esse dinheiro não vai fazer falta no mês nem no orçamento familiar.
Se a pessoa me fala que é R$ 20, por exemplo, então esse é o valor que ela tem para jogar no mês, e é com isso que ela tem de se conformar, porque é um dinheiro de diversão, não pode ser visto como forma de renda. Então, se for jogar é preciso saber que o mais provável é que vá perder tudo”.
Por fim, Fortune finaliza: “Quando uma pessoa absorve esse conceito para si, ela automaticamente se restringe, porque, a partir do momento que percebe que o mais provável é que realmente perca dinheiro, ela não vai colocar todo o salário nas bets ou uma quantia que vai fazer falta.
E aí ela acaba se autorregulando para jogar apenas o que pode perder. Nesse sentido, também é fundamental reforçar que, quando a pessoa perde, normalmente há um gatilho de tentar recuperar o valor.
E é aí que mora a grande armadilha, porque se ela coloca, por exemplo, R$ 50 na plataforma e perde, a tendência é por mais 100 para tentar recuperar, mas perde tudo. E então isso vai escalando”.

