Ouro puro: os desafios e oportunidades do Brasil

Antônio Albe passou 5 anos na bet365 em Stoke-On-Trent como Operations Review Analyst e recentemente mudou-se para Bulgária para iniciar um novo projeto profissional trabalhando com a América Latina. Em função de sua vasta experiência, o autor compartilha aqui sua visão sobre a indústria com o intuito de fomentar um debate propositivo, chamando a atenção dos stakeholders para áreas que ele considera cruciais do ponto de vista de operadores europes em relação ao desenvolvimento do mercado brasileiro.

Confira o texto na íntegra

Apesar dos risco e incertezas, o maior e mais relevante país da América do Sul apresenta uma grande oportunidade para aqueles que desejam consolidar uma base de clientes ativa antes que a regulamentação entre em jogo.

O Brasil não pode mais ser considerado um gigante adormecido. O maior país da América Latina está definitivamente acordado, porém um pouco abalado e talvez um tanto confuso. Ainda assim, apresenta uma das melhores oportunidades que o setor já viu em muito tempo. Analistas europeus acreditam que o mercado brasileiro pode chegar a US$ 1 bilhão até 2025, e uma parcela significativa desse valor já está disponível e em disputa.

Apesar do enorme valor de mercado e do cenário tecnológico favorável, impulsionado por grandes taxas de cobertura de internet e penetração de smartphones, operadores europeus e americanos ainda hesitam em estabelecer uma posição sólida no país. O ambiente político agitado, as incertezas sobre o futuro das verticais, os enormes desafios apresentados pelo ambiente de negócios no Brasil e a falta de experiência dos stakeholders locais na indústria estão entre as principais causas para tal suspeita.

No entanto, a oportunidade de impulsionar o crescimento global é tão atraente que alguns peso pesados da indústria já estão em pleno funcionamento no país. Analistas acreditam que os benefícios de ter uma base de clientes ativa e já conhecida quando a regulamentação estiver em vigor compensa todos os riscos impostos pelas incertezas do momento atual. No entanto, a estratégia de desenvolvimento de mercado mais adequada continua a ser um tema central do debate entre os operadores europeus.

A ideia de uma estratégia global, guiada por uma orientação centrada no produto e potencializada pelo fator de escala, contrapõe-se à visão de um plano voltado ao mercado que tem como objetivo principal respoder as demandas específicas do mercado de forma rápida e é suportada pelo, constatemente referido, fator de localização e uma maior compreesnsão das nuances existentes no ambiente Brasileiro,

O tamanho do Brasil e a diversidade do país tornam a decisão ainda mais complicada. Os benefícios inquestionáveis ​​da adoção de uma estratégia focada no mercado podem ser comprometidos pelas enormes diferenças culturais existentes de região para região. Contudo, algumas semelhanças, como o panorama esportivo, os elementos demográficos e a influência da internet no comportamento da sociedade, constituem uma excelente oportunidade para uma abordagem no âmbito nacional.

Além disso, o constatemente referido “generational challenge” enfrentado pela indústria parece ser outro ponto crucial para o sucesso de qualquer inciativa no país, e, invariavelmente, deve ser ponderado na adoção da estratégia. A falta de atividades legais de jogos de azar no Brasil nos últimos 80 anos tornaram as gerações mais novas uma grande parcela da potencial base de clientes. E, portanto, os operadores não podem se dar ao luxo de negligenciar esse aspecto se almejam atingir os objetivos estabelecidos.

A adaptação de portfólios e implementação de estratégias de marketing desenvolvidas para lidar com tal realidade parecem ser fatores-chaves e pilares fundamentais de qualquer estratégia desenvolvida para o Brasil. Quesitos como estabelecer uma sólida presença nas redes sociais, ofertar Esports, considerar produtos como “micro-betting”, estar atento ao conceito de gamificação, trazer inovações relacionadas a “social betting” e investir em criação de conteúdo e comunicação customizada são premissas não negociáveis.

Adicionalmente, a expertise local e esforços voltados para a construção, armazenamento  e compartilhamento do conhecimento são imprescindíveis. Da mesma forma, o entendimento dos sistemas jurídicos e políticos e a uma plena compreensão legal do relacionamento com o consumidor são aspectos chaves para fins de gerenciamento de risco. Conformidade operacional e parcerias estratégicas também devem estar presentes em qualquer discussão pois serão vitais para o gerenciamento de ameaças e a garantia de resultados comerciais favoráveis.

Do ponto de vista pessoal, não tenho dúvidas de que, apesar dos desafios, a oportunidade brasileira pode ser considerada ouro puro, e agora é o melhor momento de explorá-la. Estarei na ICE no próximo mês, à disposição, para quem quiser conversar.