Times ingleses defendem continuidade dos acordos com casas de apostas

As casas de apostas ganham cada vez mais espaço no cenário esportivo mundial. Milhões de fãs dão seus palpites em eventos esportivos espalhados pelo planeta e, a indústria continua expandindo. Sendo assim, a atuação ultrapassa a internet e alcança as cores de alguns dos principais times do mundo, como já acontece na Premier League (Campeonato Inglês).

O assunto virou matéria no Portal UOL, relatando o mercado de apostas, que movimenta aproximadamente 14 bilhões de libras no país. Ao todo, 6 bilhões de libras foram oriundas de operações online. As informações, obtidas entre 2018 e 2019, podem apresentar alterações em função da imposição de regras de isolamento social em meio a pandemia e a restrição dos deslocamentos no país.

Além disso, dá para notar essa alta nas apostas online em várias outras partes do mundo. Esse aumento da adesão as casas de apostas está muito vinculado ao futebol. Hoje, oito times da Premier League são parceiros de empresas de apostas: Burnley, Crystal Palace, Fulham, Leeds, Newcastle, Southampton, West Ham e Wolves.

A lista conta com equipes relevantes, algumas tradicionais, como o Newcastle, que observa suas fontes de renda cada vez mais dependentes destes negócios. Essa situação, entretanto, pode ser modificada em breve.

O primeiro ministro Boris Johnson está articulando com entidades governamentais e esportivas para reduzir a participação de empresas do segmento nos campeonatos profissionais. Há o receio de que essa grande visibilidade possa desencadear um problema para a sociedade. O intuito é revisar e atualizar a Lei de Jogos de 2005.

Clubes ingleses temem perder receitas com nova legislação

Os clubes ingleses, todavia, estão temerosos com essas prováveis modificações. Dirigentes apontam que não tem como controlar as ações de terceiros somente por mostrar determinadas marcas em suas camisas. Alegam também que não podem dispensar recursos em meio a uma crise financeira severa, que está impactando duramente os esportes.

Enquanto a pandemia não está completamente controlada e a vacinação avança de forma vagarosa, os torneios não podem contar com torcida. Desta maneira, os times deixam de arrecadar com bilheteria e outras promoções. A interrupção do calendário na temporada passada também impactou a distribuição dos direitos de televisão, trazendo ainda mais problemas, principalmente para os clubes com menos recursos.

Na metade do ano passado, um grupo especializado para discutir a Lei de Jogos no país indicou que as casas de apostas não deveriam ter mais autorização para ter suas marcas expostas nos uniformes de clubes, como uma medida para reduzir a quantidade de apostadores, sobretudo, em meio a crise sanitária.

No final de 2020, o governo Johnson lançou uma série de discussões sobre o assunto. E determinou que uma nova legislação fosse estudada até o final de março de 2021, só que não se chegou a um consenso. Até agora, as principais forças do futebol inglês esperam por uma atualização sobre como as empresas de apostas poderão atuar no futebol profissional.

Dirigentes esportivos apoiam manutenção das parcerias com casas de apostas

Em entrevista a Sky Sports News, um representante do Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esporte do governo disse que a decisão exige cautela, para que nenhum dos envolvidos saia perdendo com a nova legislação. “Estamos realizando uma revisão abrangente das leis para que elas sejam adequadas para a era digital e também para o momento dos clubes, ávidos por novas formas de patrocínio”, afirmou.

O presidente-executivo da Premier League, Richard Masters, desponta como um apoiador dos times e também das casas de apostas agirem com liberdade. Em novembro, ele afirmou: “Se houver necessidade de um reequilíbrio, tudo bem, mas não achamos que deveria haver uma proibição de patrocínio de clubes de futebol. Isso não pode acontecer”.

O presidente da EFL, a segunda divisão do futebol inglês, Rick Parry, atentou para as perdas de receitas dos clubes se a possibilidade de acordo com as empresas de jogos e apostas for realmente vetada. “Seria potencialmente catastrófico se acontecesse, ainda mais de maneira repentina. Criaria grandes dificuldades. Com o passar do tempo, francamente, os clubes precisariam encontrar uma maneira de se adaptar, mas isso pode demorar”, concluiu.